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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Obesidade infantil e desenvolvimento de diabetes

     Uma pesquisa recente mostrou que o ganho excessivo de IMC ao longo da vida e o início mais precoce de sobrepeso/obesidade estão associados ao metabolismo alterado da glicose (artigo: Changes in BMI, duration of overweight and obesity, and glucose metabolism: 45 years of follow-up of a birth cohort - Diabetes Care; 2011).
     Isto é uma informação importante, já que o número de crianças com peso elevado vem aumentando a cada dia.
     Devemos cuidar da alimentação das nossas crianças e adolescentes, pois é a fase mais importante da vida para a incorporação de hábitos saudáveis para a vida. Vejo que é  muito comum os pais procurarem ajuda após observar que o filho (a) já está bem acima do peso, já com complicações, como problema de articulações, colesterol e/ou triglicérides elevados, glicemia alterada...
     Aí, querem "correr" contra o tempo, fazem muitas restrições e acabamos tendo pouca aderência ao tratamento, ficando difícil reverter a situação, que talvez seria rápida e com mudanças significativas, pelo estágio de vida em que as crianças e adolescentes se encontram!
    Portanto, sempre recomendo. Faça um trabalho de educação nutricional desde a infãncia, para a incorporação dos hábitos o mais precoce, de maneira tranquila e preventiva, e não somente em caso de tratamento!!!
    Vamos cuidar do adultos do futuro!!!

Grande abraço a todos!
Viviane

sexta-feira, 19 de março de 2010

Filhos acima do peso?



Coma menos, filho
Mães nem sempre reconhecem quando suas crianças estão acima do peso
Carlos Fioravanti - Edição Impressa 169 - Março 2010

O olhar das mães é poderoso. Descobre segredos, descortina o futuro, fortalece, afugenta fantasmas. Nem sempre, porém, identifica quando os filhos estão um pouco acima do peso. Em um estudo feito em Vitória, capital do Espírito Santo, com 1.282 crianças de 7 a 10 anos, apenas 10% das respectivas mães reconheceram que os filhos com sobrepeso ou obesidade estavam realmente pesando acima do normal para a altura e a idade.
Em outro estudo, essa equipe da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) verificou que 14% desse mesmo grupo de crianças apresentava pressão arterial acima do normal. “São dados preocupantes”, comenta Maria del Carmen Molina, professora da Ufes e coordenadora desses estudos. “Excesso de peso e hipertensão são dois fatores de risco para doenças cardiovasculares, a principal causa de morte na população brasileira.” Os pesquisadores esperavam que 20% das crianças estivessem com peso acima do recomendado (encontraram 23,3% com sobrepeso ou obesidade) e no máximo 10% com pressão arterial elevada.
Para avaliar esse risco futuro de enfarte ou de acidente vascular cerebral, os pesquisadores da Ufes não mediram apenas o peso, a altura e a pressão arterial de crianças de 7 a 10 anos de 29 escolas públicas e seis particulares de Vitória. Também avaliaram a alimentação, perguntando com que frequência consumiam frutas, sucos, legumes, leite, feijão, doces, salgadinhos, refrigerante, batata e maionese, e se tinham o hábito de fazer a primeira refeição do dia, o café da manhã. O que viram é que a garotada não está se alimentando tão bem quando as mães imaginavam. Viram também que o lazer, principalmente o sedentário, é intenso, com pelo menos três horas em frente à televisão ou no video­game, raramente saindo para brincar de pega-pega, jogar bola ou andar de bicicleta.
Examinando essas quatro variáveis (excesso de peso, hipertensão, alimentação de baixa qualidade e quatro horas ou mais de lazer sedentário diário), os pesquisadores verificaram que 20% das crianças apresentavam três fatores de risco para doenças cardiovasculares, 34% tinham dois fatores, 27% apenas um fator de risco e 12% não apresentavam nenhum fator de risco, de acordo com o trabalho da equipe da Ufes, em conjunto com a Universidade Autônoma de Madri, em fase de publicação.
O estado de saúde dos filhos pode refletir o das mães. Em um levantamento com 14.914 crianças brasileiras com menos de 10 anos publicado em 1996 na Revista de Saúde Pública, Elyne Engstrom, da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, e Luiz Anjos, da Escola Nacional de Saúde Pública,verificaram que crianças com sobrepeso tinham mães também com sobrepeso. Um estudo com 800 pais e mães de 439 estudantes realizado na Holanda chegou a resultados similares: 75% das mães e 77% dos pais de crianças com sobrepeso disseram que o filho ou filho estava com peso normal. Nessa pesquisa, publicada em janeiro na revista Acta Paediatrica, emergiu também uma relação direta entre o sobrepeso dos pais e o dos filhos.
Bebês prematuros - Agora o estudo em Vitória revela uma associação entre a escolaridade das mães e o risco de doença cardiovascular dos filhos: quanto mais anos de estudo das mães, melhor tende a ser a alimentação e portanto o peso, mais normal a pressão arterial e mais diversificada as atividades físicas dos filhos. “Verificamos também que a hipertensão é mais comum em crianças prematuras, que nascem antes de 37 semanas”, disse Maria del Carmen. “O desenvolvimento de doenças crônicas poderia ser uma das sequelas de nascer antes do tempo normal e com peso entre 700 gramas e 1 quilograma (kg), em vez de no mínimo 2,5 kg.”
Os resultados desses estudos não circularam apenas por meio de revistas científicas especializadas. “Mandamos carta para cada família informando que a criança tinha apresentado pressão arterial elevada e sugerimos que procurassem um posto de saúde ou um médico para confirmar o diagnóstico”, informou Maria del Carmen. “Comunicamos também à Secretaria de Saúde, cujos diretores e técnicos começaram a perceber que a hipertensão, antes considerada doença de adulto, pode ser também um problema de crianças. A primeira providência foi comprar medidores de pressão adequados para crianças e enviar aos postos de saúde.”
A responsabilidade por essa situação não é só da família – ou das mães. “Nas escolas que atendem a população de renda mais baixa”, observou Maria del Carmen, “mesmo com cardápio padronizado, as merendeiras colocam muito mais comida do que deveriam para as crianças, porque acham que precisam. Mesmo com cardápio padronizado, o valor calórico das refeições oferecidas às crianças às vezes era o dobro do que deveria ser”.
> Artigo científico
MOLINA, M.C. et al. Correspondência entre o estado nutricional de crianças e a percepção materna: um estudo populacional. Cadernos de Saúde Pública. 25(10):2.285-90. Out. 2009.



Meus comentários:

Em primeiro lugar, quer deixar claro que não coloquei esta matéria para que as mães se sintam culpadas ou negligentes, e sim para perceber nossos atos diários!

Acho muito interessante este artigo, pois mostra como deixamos de observar nossa rotina, viver na correria, e deixar de perceber alguns detalhes, e não apenas na vida dos filhos, com certeza na nossa vida.

Eu sempre digo que nossos filhos, quando dependentes, comem o que oferecemos. Se gosta de guloseimas, é porque mostramos a ele que isto existe! Aí, quando adolescente, onde ele começa a ter uma certa independência de escolha...queremos proibir de tudo?

Coloco algumas questões para reflexão:

Será que não é melhor ensinar limite, inclusive de alimentação desde bebê?

Por que pensamos que as crianças são diferentes de adolescentes?

Por que esperamos criar um hábito, para depois dizer que aquilo que fizemos até então, está errado?


Pensem nisso...e pensei em como nós estamos nos cuidando!
Beijos!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Vamos cuidar dos nossos adolescentes...


Os pais precisam estar atentos, estar gordinho, não significa apenas estar "fora dos padrões estéticos". Pode significar não estar em plena saúde.
Os adolescentes não se preocupam com saúde. O fato de alguém dizer que no futuro ele pode ter um problema cardíaco ou diabetes, não é preocupante naquele momento. Quem já não pensou quando adolescente: "Sou imbatível, nada acontecerá comigo!"
Este estágio de vida é para se conhecer, aprender, então precisamos orientar, e não só punir e brigar.
Bom, este tema, adolescência, pode me deixar escrevendo muito, risos...então vamos ao artigo.

Incidência de gordura no fígado em adolescentes obesos é de 50%, indica estudo
Estudo da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), identificou que aproximadamente 50% dos adolescentes obesos atendidos pelo Grupo de Estudos da Obesidade (GEO) do Departamento de Biociências, no Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE) da Universidade, apresentam algum grau de esteatose hepática não alcoólica (NAFLD - Non-alcoholic fatty liver disease), o que significa acúmulo de gordura no fígado.


Consequências do acúmulo de gordura no fígado
Essa doença tem sido considerada como o novo marcador da síndrome metabólica (conjunto de alterações no metabolismo) , caracterizada por aumento das chances de desenvolvimento de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares associadas à obesidade e à morte precoce. A pesquisa apontou os fatores mais determinantes para o desenvolvimento da NAFLD.


Causas para o desenvolvimento de acúmulo de gordura no fígado
Os adolescentes obesos que tiveram diagnóstico para esteatose apresentam aumento circulante do neuropeptídeo Y (NPY), principal fator orexígeno, responsável pelo aumento da fome. Além das alterações comumente apresentadas em obesos, esses pacientes têm ainda uma alteração na regulação neural do balanço energético, o que dificulta o emagrecimento.
Entre os fatores determinantes para o desenvolvimento da doença, a ingestão elevada de carboidratos e de gorduras saturadas, encontradas em frituras e produtos industrializados, é forte estimulante para o aumento deste neuropeptídeo. A gordura saturada está correlacionada ao aumento da gordura visceral (depositada na região abdominal do corpo), que está associada ao aumento das chances de doenças cardiovasculares e morte precoce.
Foram avaliados desde 2004, cerca de 300 adolescentes, com idade entre 15 e 19 anos. Entre os que apresentaram a doença, foi observada a incidência de esteatose nos graus 1 (cerca de 30% de gordura no fígado), 2 (entre 30% e 60%) e 3 (de 60% a 90%). A partir disso, o paciente já apresenta quadro de fibrose e posteriormente cirrose. Embora as causas sejam diferentes, os efeitos são os mesmos da esteatose hepática alcoólica.
Os adolescentes diagnosticados passaram então por um ano de tratamento clínico, nutricional, orientação psicológica e atividade física. Metade conseguiu reduzir os níveis de gordura para índices considerados saudáveis. "A chance de cura existe, mas depende do emagrecimento. Também é importante que o paciente não perca peso muito rapidamente, porque quando ocorre o emagrecimento rápido, a gordura estocada nas vísceras (região central do corpo) vai diretamente para o fígado, que não consegue sintetizá-la a contento e exportá-la novamente para a circulação, aumentando a quantidade de gordura intra-hepática", explica a Dra. Ana Dâmaso, coordenadora da pesquisa.
A incidência da síndrome metabólica ocorre em cerca de 32% dos pacientes com obesidade mórbida. Nestes casos associados à resistência insulínica é preciso complementar o tratamento com medicação e as chances de cura da obesidade mórbida são menores. No entanto, ao final de um ano de tratamento, houve redução para 8% dos casos de adolescentes obesos com a síndrome.
Tratamento
O Programa de Intervenção Interdisciplinar em Obesidade para adolescentes do Grupo de Estudos da Obesidade (GEO) do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE) terá continuidade. O próximo grupo iniciará os trabalhos em janeiro de 2010 e as inscrições, para jovens entre 15 e 19 anos, estarão abertas de 9 de novembro a 18 de novembro de 2009 e de 13 de janeiro a 12 de fevereiro de 2010.
Os interessados deverão agendar entrevista por telefone: (11) 55720177, com June, Aline, Raquel ou Fabíola. Rua Marselhesa, 535 Vila Clementino (Próximo ao metrô Santa Cruz). O tratamento é gratuito, mas a Universidade não se responsabiliza por custos com transporte e alimentação.